Matemarketing, em suma, é capacidade de usar a matemática em favor do marketing. Dados, análises preditivas, tendências, identificação de padrões, estatísticas, modelos matemáticos, projeções, equações, tudo é utilizado para encontrar e guiar estratégias de marketing. E a matemática está tão no core da Math Marketing que, bom, está no nosso nome, marca e impressa nas habilidades dos nossos colaboradores, inclusive os de humanas!

Mas talvez o profissional que mais se beneficie das ferramentas que a matemática pode oferecer e aplicá-las ao marketing seja o cientista de dados. E aqui vou descrever as habilidades que considero essenciais para que este profissional seja o ideal em uma operação de matemarketing.

 

Como é o cientista de dados moderno?

Entendo que as competências dos cientistas de dados são constantemente atualizadas conforme novas tecnologias influenciam a maneira os dados são armazenados, consumidos, modelados etc. Mas atualmente acredito que esta é a lista de competências que faz um cientista de dados ser o ideal.  

 

MATEMÁTICA – Claro, esta skill deve ser inerente a qualquer cientista de dados, especialmente quando falamos de estatística e álgebra linear.

CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO – Essencialmente programação e design de infraestrutura.

ENTENDER DE NEGÓCIOS – Esta é uma habilidade que julgo muito coerente com o cenário atual. O “pensamento de empresário” já é uma skill bem valorizada em diferentes profissões e vista com bons olhos pelos recrutadores mais exigentes. Ora, se temos um cientista de dados capaz de realizar cálculos matemáticos, programar, contar uma história, conseguimos dar um Norte estratégico a todas estas habilidades se ele consegue entender o negócio ao qual está inserido. Um exímio analista de dados de uma área específica, pode não ter a visão necessária de que os dados que ele lida todo o dia, pode ser a solução que toda a diretoria está quebrando a cabeça para tentar encontrar e alavancar os resultados.

SABER CONTAR UMA BOA HISTÓRIA – A capacidade de criar narrativas em torno de seu trabalho, integrando os resultados em uma história maior. Um cientista de dados deve ser capaz de fazer as perguntas certas. Essa habilidade é mais difícil de avaliar do que qualquer habilidade específica, mas é essencial. Os cientistas de dados são valorizados por sua capacidade de criar narrativas em torno de seu trabalho. Eles não vivem em um mundo abstrato e matemático; eles entendem como integrar os resultados em uma história que contemple todo o cenário. Acreditamos que este seja um caráter fundamental do cientista de dados moderno. Por meio de uma boa história, conseguimos engajar áreas, equipes e pessoas de C-level. 

O cientista de dados precisa ter a sensibilidade de fazer as perguntas certas e saber observar

Além dessas habilidades, um cientista de dados deve ser capaz de fazer as perguntas certas com empatia. Veja, regiões com diferentes dados demográficos, populacionais, comportamentais, classes sociais e tantos outros fatores irão gerar dados diferentes que precisam ser trabalhados com abordagens diferentes. Essa habilidade é mais difícil de avaliar do que qualquer habilidade específica, mas é essencial.

Comunicação se torna ainda mais importante, do ponto de vista de contexto de negócio aos dados. Eu gosto muito do exemplo, da internet.

Vamos olhar três fatos isolados:

  • 53% da população tem acesso a internet
  • Início da popularização da Internet pode ter como marco o memorando de Bill Gates em 1995
  • 3,6 bilhões de pessoas é o mercado potencial a ser explorado para acesso à internet

 

A partir destes dados podemos fazer uma abordagem positivista:

A internet é o meio de comunicação mais ágil e de acesso mais democratizado na história. Em apenas 25 anos faz parte do cotidiano de mais da metade da população do planeta, sendo indissociável do tecido social.

Ou de forma mais negativa:

Mesmo com os esforços de popularização tendo se iniciado há mais de duas décadas, a internet ainda pode ser considerada um privilégio. Hoje estão excluídos do acesso 3,6 bilhões de pessoas em todo o mundo.

Olhar os dados isolados sem o real contexto nos traz uma visão pobre e por muitas vezes míope.

  • Este público sem acesso à internet:
  • Tem acesso a saneamento básico?
  • Possui garantido os direitos básicos de liberdade?
  • Vivem em quais condições de IDH?

 

Fazendo um corte nos dados, e com isso ampliando a nossa condição de entendê-los de forma aprofundada. Esta dada as condições para a criação de hipóteses e análises de real impacto em determinado cenário. Precisamos pensar em Ciências de dados mais como competência do que funções. Podem estas competências estar conjugadas em um ou vários profissionais, a depender da complexidade e profundidade dos cenários a serem analisados.